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E se não precisares de dinheiro para arrancar com a tua startup?

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Acredita Portugal organiza o maior concurso de empreendedorismo do país, que é também um dos maiores do mundo. Em 2019, divulgou dados que reuniu ao longo de uma década sobre os empreendedores a concurso e há algumas métricas sobre as quais gostaria de refletir.

43,4% dos empreendedores que se inscrevem no concurso têm como motivação a exposição a potenciais investidores; 45,8% desistiram da sua ideia de negócio por dificuldade em captar financiamento; e 63,6% dos projetos que avançaram e constituíram empresa, apontam este mesmo fator como sendo uma das maiores dificuldades enfrentadas.

Nos últimos dois anos tive o privilégio de estar envolvido enquanto parceiro na realização do concurso, tendo sido o principal formador e mentor do Montepio Acredita Portugal 2020 e ainda coorganizador do programa de aceleração para os projetos finalistas.

Dei mentoria e contactei com centenas de empreendedores que participaram no concurso e pude constatar que o primeiro passo que a maioria dá na execução da sua ideia de negócio é a criação/materialização do produto ou serviço pretendido.

Consigo perceber que assim seja, uma vez que, a maioria de nós, quando tem uma ideia de negócio, esta surge no formato do produto ou serviço que queremos criar. É, por isso, natural que a maioria dos empreendedores fique dependente de conseguir investimento ou financiamento externo para conseguir dar vida a esses mesmos produtos ou serviços.

O que acontece depois é estatística: nove em cada dez produtos/serviços falham e o sonho de ser o próximo Mark Zuckerberg ou Elon Musk começa a ir por água abaixo.

Mais grave é que estes empreendedores investiram meses, por vezes até anos, na criação de um produto que, no final, descobrem que “não vende”.

Gastaram tempo e dinheiro a criar uma “chave” para abrir uma “porta” que desconhecem. Qual o sentido? Será que essa foi a melhor estratégia?

O Ash Maurya costuma dizer: “A vida é demasiado curta para criar produtos que ninguém quer”. Eu concordo. Por isso, parte do meu papel enquanto mentor é guiá-los por um caminho alternativo: primeiro, descobrir a porta que querem abrir e só depois de conhecerem bem a respetiva fechadura, investir os recursos necessários para criar a chave que a abrirá.

Se na metáfora a porta simbolizar o cliente e a fechadura um problema sentido por ele, então o primeiro passo do empreendedor é encontrar um problema que valha a pena ser resolvido para alguém, para depois desenhar uma chave à medida – a solução, produto ou serviço a criar.

Só depois destes passos é que o empreendedor deverá focar-se em materializar essa solução, criando o produto ou serviço com base na informação recolhida nos passos anteriores. Sublinho: só nesta fase é que deve ser equacionada a possibilidade de se começar a investir as próprias poupanças e/ou a necessidade de se obter investimento ou financiamento externo.

Antes disso, será demasiado arriscado, frustrante (a maioria dos investidores não irá investir em ideias sem qualquer execução) e pouco inteligente de um ponto de vista estratégico.

Acredito realmente que quando os empreendedores começam pelo “problema” e não pelo “produto”, não só reduzem substancialmente o risco associado às suas ideias de negócio, como percebem que talvez não precisem de dinheiro para começar a executá-las.

Estou tão convicto disto que, todos os anos, perco milhares de euros à conta desta ideia. A Cron.Studio – empresa que fundei e da qual sou CEO –, é especializada no desenvolvimento de produtos tecnológicos para startups (hardware e software) e, não raras vezes, encontra-se diante de clientes dispostos a pagar para desenvolvermos o produto que imaginaram. Mas não trabalhamos assim, não queremos contribuir para empreendedores iludidos, por isso, sugerimos que primeiro investiguem a necessidade do mercado, no sentido de diminuir o maior risco da sua ideia de negócio, ao invés de gastarem tempo e dinheiro a criar algo que no final podem vir a descobrir que ninguém quer.

O objetivo é seguir com velocidade e foco, mas aprendendo o tempo todo sobre o cliente e o mercado onde nos movemos para mitigar os riscos. Cabeças nas nuvens, pés no chão.

Diogo Bhovan
Empreendedor, Formador e Palestrante

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